Portugal atravessa um momento contraditório no mercado imobiliário. Segundo dados divulgados pela AICCOPN (Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas), o primeiro trimestre de 2026 registou 37.745 alojamentos transacionados, num montante global de 9.921 milhões de euros.
À primeira vista, os números parecem positivos: o valor das transações cresceu 3,2% face ao período homólogo. Mas há um sinal de alerta escondido nestes dados. O número de casas vendidas caiu 8,7% no mesmo período, e a comparação com o trimestre anterior é ainda mais expressiva, com uma quebra de 12,4% nas transações.
Menos casas vendidas, mais caras
O que explica esta aparente contradição é simples: os preços continuam a subir com força. O Índice de Preços da Habitação valorizou 17,8% em termos homólogos e 3,8% face ao último trimestre de 2025. Ou seja, compram se menos casas, mas cada uma delas custa significativamente mais.
Este cenário é sustentado, em grande parte, pela facilidade de acesso ao crédito. Até final de abril de 2026, os bancos concederam 7.778 milhões de euros em crédito à habitação, excluindo renegociações, um aumento de 11,9% face ao período homólogo. As taxas de juro mantêm se praticamente estáveis desde o início do ano, o que tem sustentado a procura mesmo com preços elevados.
Licenciamento residencial em queda
Do lado da oferta, os números são menos animadores. A área licenciada para edifícios habitacionais caiu 7,2% até abril, ao contrário do setor não residencial, que cresceu 18,2% no mesmo período. Os fogos novos licenciados somaram 14.099 unidades, uma ligeira redução de 1% face a 2025.
O consumo de cimento, indicador direto da atividade construtiva no terreno, continua a crescer: 1.713,2 mil toneladas até final de maio, mais 4,6% que no ano anterior.
Os dados foram divulgados pela AICCOPN com informação disponível até 30 de junho de 2026, com base em fontes como o INE, o Banco de Portugal e o Portal Base.


