O calendário dos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário enfrenta um cenário de elevada incerteza e contestação a escassos dias do arranque das inscrições para a segunda fase. O processo de avaliação da primeira fase, marcado pela estreia de um modelo de digitalização classificado pelas estruturas sindicais como caótico, virou uma autêntica corrida contra o tempo, acumulando buscas na madrugada e convocações urgentes no Parlamento.
Técnicos tentam localizar folhas de respostas desaparecidas em operação noturna
Uma operação de emergência foi montada na Grande Lisboa, mobilizando cerca de 40 técnicos que trabalharam num ritmo frenético durante a madrugada para tentar localizar folhas de respostas em papel que desapareceram durante o processo de digitalização das provas. O turno especial decorreu das 22 horas de domingo às 6 horas de segunda feira, num espaço dedicado ao processamento digital dos exames. O próprio ministro da Educação, Fernando Alexandre, esteve presente no local para determinar a supervisão das operações de perto.
A mobilização incluiu profissionais do EduQA e membros do gabinete governamental da tutela, indivíduos que regulamentarmente não fazem parte do Júri Nacional de Exames. Esta inclusão gerou alertas imediatos nos bastidores do setor, dado que a introdução de pessoal alheio ao júri oficial coloca em risco o princípio basilar do anonimato das provas, permitindo que uma quantidade significativa de pessoas externas tenha acesso direto aos documentos manuscritos dos estudantes.
O novo calendário técnico e o prazo condicionado para a segunda fase
As falhas informáticas na classificação eletrónica, os erros de sistema e os atrasos na distribuição dos exames aos professores classificadores inviabilizaram os prazos estipulados originalmente pelo Governo. Para atenuar a pressão sobre os docentes, o Ministério da Educação foi forçado a reformular o calendário de avaliação, adiando as pautas e comprimindo o período de acesso à etapa seguinte.
A configuração atualizada das datas oficiais estabelece os seguintes parâmetros:
- A publicação oficial das pautas com as notas da primeira fase transitou para o dia 17 de julho
- O período de inscrição para a segunda fase ocorre num intervalo muito curto, fixado entre os dias 17 e 20 de julho
- A submissão das candidaturas deve acontecer obrigatoriamente por via digital através da Plataforma de Inscrição Eletrónica em Provas e Exames, conhecida como PIEPE
- A realização dos exames da segunda fase tem início logo na tarde do dia 20 de julho, com término previsto para o dia 24 de julho
- O início das candidaturas ao Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior permanece inalterado, começando também a 20 de julho
Esta reestruturação calendarizada força os alunos a consultar as classificações, decidir a estratégia de melhoria ou repetição e submeter os formulários na plataforma PIEPE durante o fim de semana, enfrentando o início das provas quase em simultâneo com o fecho das inscrições.
Ministro da Educação enfrenta debate de urgência no dia da publicação das notas
A instabilidade gerada em torno das avaliações provocou uma reação imediata na Assembleia da República. O PCP avançou com a exigência de um debate de urgência potestativo marcado precisamente para o dia 17 de julho, a data da divulgação dos resultados dos mais de 300 mil exames do secundário. Os deputados exigem que a tutela preste esclarecimentos obrigatórios e detalhados sobre as falhas registadas no modelo de avaliação. O partido Chega também formalizou a intenção de confrontar o governante na mesma data.
A contestação política subiu de tom após a denúncia de orientações polémicas transmitidas aos professores corretores. Segundo o requerimento parlamentar das forças de oposição, os docentes receberam indicações para classificar as provas mesmo quando a plataforma digital as apresenta incompletas ou com páginas visivelmente em falta. A Federação Nacional dos Professores, a Fenprof, reforça que a transição para este formato digital introduziu uma desorganização profunda no sistema, gerando suspensões temporárias na plataforma na última semana e uma sobrecarga inaceitável sobre os avaliadores, o que ameaça o rigor e a fiabilidade de todo o concurso de acesso ao ensino superior.


