Logo paivense
Logo paivense

O contexto cultural influencia a forma como conectamos com a Natureza

Há décadas que, no mundo ocidental, a população tende a migrar do campo para a cidade. No entanto, isso não implica que o indivíduo não estabeleça uma conexão especial com a natureza.

Para medir esta conexão, os psicólogos ambientais usam métodos que aplicaram indistintamente a diferentes países. Uma investigação espanhola mostra que a Escala de Conexão com a Natureza apresenta diferenças de acordo com o contexto cultural em que é aplicada, segundo a Universidad Complutense de Madrid.

A conexão com a natureza, do ponto de vista da psicologia ambiental, consiste no vínculo cognitivo e emocional que as pessoas têm com a natureza, apesar do habitual “abandono” do campo pela cidade na sociedade ocidental. Esta conexão tem sido relacionada ao bem-estar e à preocupação com o meio ambiente.

“Na media e nas redes sociais, ideias como saúde e natureza ou benefícios de caminhar na natureza aparecem repetidamente, sustentando o conceito de conectividade com a natureza”, explica Laura Pasca, investiagadora da faculdade de Psicologia da UCM e uma das autoras do estudo publicado em novembro na revista Plos.

Atualmente, esta escala é usada em diferentes partes do mundo. “Chegámos à conclusão de que a medida de conexão com a natureza apresenta diferenças dependendo do contexto cultural em que é administrada”, diz Pasca.

Para realizar o estudo, foram utilizadas duas amostras, uma espanhola e outra americana, o país de origem da escala utilizada. Estes dados foram tratados com três métodos estatísticos diferentes e o resultado determinou o que os especialistas assumiram: o contexto cultural influencia a conexão com a natureza, que não pode ser tratada igualmente sem ter em conta a origem do indivíduo.

“Para poder fazer comparações com esta escala em diferentes culturas, seria necessário estabelecer um instrumento de medida, já que a mesma pontuação em diferentes países pode significar diferentes níveis de conexão”, refere Juan Ignacio Aragonés, investigador do departamento de Psicologia Social, Laboral e Diferencial da UCM.

Sendo um fenómeno universal, explica o psicólogo, há uma tendência para tratar universalmente os instrumentos de medida, apesar de terem sido construídos em contextos culturais concretos.