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Poema: Trinta luas

Trinta luas

Trinta luas passaram
Sentido o vazio escuro da noite,
Amando-te de olhos fechados,
Suspirando a tua ausência.
Trinta luas passaram
E eu,
Confortado pelo corpo que abraço,
Pequenino, meigo, saudoso,
Renasce o nosso amor a cada instante.
E eu?
Que interessa o meu eu,
Se aquilo que queria era somente o teu,
O teu calor,
O teu beijo,
O teu sorriso,
O teu olhar,
Até, o teu feitiozinho, eu quero.
Trinta luas passaram
E as lágrimas não param
E o sofrimento não acaba
E a saudade, essa? Cada vez maior.
Trinta luas passaram
Outras trinta virão,
E tu? Porque não vens?
Tu que nos faltas,
Tu que nos amavas,
Tu que eras a fonte da nossa alegria.
Trinta luas passaram
Por nós configurada na estrela mais brilhante,
Por nós tida como a rainha do céu,
Por nós amada a cada pensamento,
Por nós desejada a cada momento.
Trinta luas passaram
Muitas outras em nós irão cair
E em cada uma, tu virás cheia
Para encher o nosso coração perdido,
Para iluminar o nosso caminho,
Para ficares no nosso desejo permanente.
Trinta luas perdidas
Na ambição de não aceitar a verdade, partiste.

Paulo Semide


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