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Crónica: Rui Rio com uma mão de opositores e outra de ideias vazias

No rescaldo autárquico, Pedro Passos Coelho assume que não reúne condições para continuar à frente do Partido Social Democrata, para alguns estas decisão peca por tardia, para outros terá sido precipitada porque a derrota não foi tão pesada como inicialmente anunciado.

Depois de uma campanha eleitoral intensa, Rui Rio derrotou Pedro Santana Lopes de forma bastante expressiva, que, registe-se, teve um discurso bastante emotivo na noite da derrota.

Afastadas a guerras internas, realizou-se o congresso nacional que, em condições normais, serve para debater ideias, apresentação de linhas orientadoras para os anos seguintes, a “aclamação” do novo líder que apresenta a sua equipa ao partido e ao país e transmite as linhas gerais do seu programa ideológico ao eleitorado.

É na apresentação da equipa de Rui que surge o primeiro problema: Elina Fraga!

Elina Fraga foi uma grande opositora às políticas judiciais de Passos Coelho, esteve muitas vezes na linha da frente no protesto e na denúncia, inclusive agiu judicialmente contra o Governo de Passos Coelho. O descontentamento pela sua presença na vice presidência não se fez esperar, das várias vozes de descontentamento cito Paula Teixeira da Cruz que afirmou tratar-se de “uma traição” que se juntou aos apupos dos militantes enquanto subia a palco.

Por mais tempo que Rui Rio discursar-se, sem que nenhum eleitor tenha registado as principais ideias que este tem para o país, porque não transmitiu nenhuma, ficamos com o registo de Persona nom grata para com Elina Fraga.

A semana iniciou-se com entrevistas e declarações ao país vazias de propostas e cheia de justificações sobre Elina Fraga.

A visita ao Sr. Presidente da República não foi muito diferente, mesmo quando este comentou previamente que esperava ouvir as principais ideias que o novo líder tem para o país, Rio perante os jornalistas argumentou que o congresso foi recente e ainda não tinha ideias para apresentar.

Quando se esperava que as coisas não podiam piorar, assistimos às eleições da liderança parlamentar: mais de metade da bancada não apoia Fernando Negrão, incluindo dois elementos que subscreveram a lista. Fernando Negrão apressa-se a justificar o injustificável, com manobras de interpretação dos votos brancos e nulos. Mais uma vez, o descontentamento e os comentários dos seus deputados não se fizeram esperar.

Assistimos todos os dias na imprensa vários membros do PSD a afirmarem “estão a fazer a cama a Rui Rio”, afirmou António Capucho “um grupo organizado quer derrubar Rui Rio e não se fez esperar, não tenham dúvidas que estão bem organizados” proferiu Pacheco Pereira.

O que se esperava nesta primeira semana de liderança de Rui Rio seria a análise às suas principais ideias para o país e perceber se este terá estrutura para derrotar o Governo nas eleições ou na desagregação da solução governativa de esquerda. Contudo assistimos a um discurso de ideias vazias, justificações da composição da sua equipa e, mais grave de tudo, ao desmoronar da estrutura porque não se reveem no líder.

Quando Rui Rio deveria estar a marcar a agenda política como líder da oposição, está a ocupar o seu tempo tentando controlar a oposição que tem internamente.

Manuel Mendes


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