Castelo de Paiva, Portugal – O impacto de uma resposta célere e qualificada perante uma paragem cardiorrespiratória motivou o Município de Castelo de Paiva a implementar um programa educativo centrado nas técnicas de Suporte Básico de Vida, destinado a quase uma centena de estudantes do ensino secundário. Esta iniciativa decorreu nas instalações da Escola Secundária local, tendo como público-alvo 85 alunos matriculados no 11.º ano e no 10.º ano do Curso Técnico Profissional de Auxiliar de Saúde.
Parceria estratégica para a literacia em saúde
A operacionalização desta formação esteve a cargo da Associação Nacional de Emergência, Socorro e Catástrofe, uma entidade sem fins lucrativos devidamente validada pelo Instituto Nacional de Emergência Médica, mais conhecido pelo acrónimo INEM. A estrutura da formação baseou-se no projeto intitulado “Somos Um”, uma ideia concebida por especialistas de reconhecido mérito na área da emergência pré-hospitalar. Entre o grupo de peritos, destaca-se Filipe Serralva, médico que exerce funções na Viatura Médica de Emergência do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) e que possui um vasto currículo de experiência clínica e formativa reconhecido pelo INEM.
A estratégia delineada para o território do Tâmega e Sousa tem como propósito transmitir conhecimentos práticos a jovens, conferindo-lhes uma certificação reconhecida e preparando-os para atuar em momentos críticos. A seleção específica dos alunos que frequentam o 11.º ano não foi aleatória; esta faixa etária reúne o equilíbrio necessário entre o desenvolvimento físico, a maturidade intelectual e uma maior consciência social, características fundamentais para interiorizar procedimentos médicos sem comprometer o normal desenrolar do período letivo habitual.
Capacitar cidadãos para salvar vidas
Susana Sousa, vice-presidente da autarquia, acompanhou pessoalmente o decorrer dos trabalhos ao lado de Beatriz Rodrigues, a diretora do Agrupamento de Escolas de Castelo de Paiva. Para a autarca, estas ações assumem-se como um pilar essencial na estratégia municipal, elevando os padrões de literacia em saúde na região e dotando a comunidade de uma capacidade de resposta mais eficiente face a emergências imprevistas. A visão da edilidade aposta, desta forma, numa educação contínua que transforma estes jovens em futuros “agentes de emergência”, aptos a intervir de forma qualificada em cenários onde cada segundo é determinante para a sobrevivência de um ser humano.
Conteúdos formativos e certificação oficial
A equipa docente responsável por transmitir estas competências foi constituída maioritariamente por médicos e enfermeiros do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, garantindo um elevado nível de exigência técnica. A formação contou com o respaldo da Ordem dos Enfermeiros, assegurando que todas as diretrizes formativas cumprissem os rigorosos critérios de segurança e qualidade impostos pelo INEM.
Durante as sessões, foram abordadas temáticas vitais para a intervenção no terreno, incluindo a abordagem ao Síndrome Coronário Agudo e aos episódios de Acidente Vascular Cerebral, para além da vertente principal de Suporte Básico de Vida. Ao final da formação, cada estudante recebeu um Certificado de Formação Profissional reconhecido pelo INEM, que atesta a sua competência técnica durante os próximos cinco anos.
Filipe Serralva salientou que esta credenciação constitui um valor acrescentado bastante significativo para o percurso académico e profissional de cada jovem, reforçando não apenas a sua preparação individual, mas também o capital social do país na resposta a emergências médicas graves. A autarquia pretende manter esta iniciativa de forma recorrente, garantindo que as sucessivas gerações de estudantes em Castelo de Paiva possuam o conhecimento técnico necessário para atuar com calma e precisão sempre que a vida de alguém estiver em risco, honrando o compromisso de responsabilidade social que a instituição promove junto das escolas da rede pública.






