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Construtor da “prenda” de Salgado alega que milhões pagos a Tomás Correia eram para os filhos de amigo falecido

Rodrigo Antunes / Lusa

Conhecido por ter oferecido uma “prenda” de 14 milhões de euros a Ricardo Salgado, ex-presidente do BES, o construtor José Guilherme está também a ser investigado por suspeitas de que pagou “luvas” de 1,5 milhões de euros a Tomás Correia, ex-presidente do Montepio Geral. O empresário alega que o dinheiro era para os filhos de um amigo falecido.

José Guilherme e Tomás Correia estão a ser investigados pelo Ministério Público (MP) por suspeitas de burla, branqueamento de capitais e fraude fiscal no âmbito de um empréstimo concedido pelo Montepio.

O MP suspeita que o empresário da construção civil que, actualmente, vive em Angola, terá pago “luvas” de 1,5 milhões de euros a Tomás Correia como alegada contrapartida pelo financiamento obtido no Montepio, segundo avança o Correio da Manhã (CM).

Da mesma forma, o construtor terá transferido 750 mil euros para Ricardo Salgado, ex-presidente do BES, por empréstimos obtidos neste Banco.

Os empréstimos envolvem o fundo Invesfundo II e estão em causa valores da ordem dos 85 milhões de euros, de acordo com o CM que teve acesso ao processo.

As transferências de dinheiro suspeitas terão ocorrido entre Junho de 2006 e Março de 2007 e estão a ser investigadas no inquérito-crime que envolve José Guilherme e Tomás Correia, mas não Ricardo Salgado.

Ao MP, o empresário da construção civil terá dito que o dinheiro transferido para Tomás Correia “teria correspondido a uma solicitação de um amigo e parceiro de negócio, identificado como Amadeu Dias, já falecido”, como transcreve o CM.

De acordo com a explicação de José Guilherme, Amadeu Dias teria acertado com Tomás Correia que, “após a sua morte, os fundos seriam feitos chegar aos filhos de um seu primeiro casamento, permanecendo oculto o nome do mesmo Amadeu Dias”, segundo a citação do referido jornal.

José Guilherme está entre os grandes devedores do Novo Banco, tendo a sua dívida sido alvo de uma reestruturação em 2016.


Fonte: ZAP