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Crónica: A formação no futebol – Como o Sp. Paivense vive como um elefante dentro de um elevador – Parte II

Na semana passada, abordei, neste espaço, os passos firmes que a formação no futebol tem dado em Portugal no sentido de ter maior exigência no processo para obter mais qualidade no produto final.

Referi, igualmente, que esse quadro de maior exigência, acaba por ter um efeito de arrasto em todo o edifício do futebol, incluindo os clubes de pequena dimensão. Neste ponto encaixa na perfeição a situação do Sporting Clube Paivense, pressionado pelo crescimento dos clubes mais próximos, pelo incremento competitivo das competições onde está inserido e por uma sociedade cada vez mais informada o clube tem dado passos pequenos mas sólidos no sentido de elevar o nível do seu departamento de formação. Hoje em dia, cerca de 150 jovens atletas, evoluem nos diversos escalões, representa já uma força e um peso na sociedade paivense que não pode de forma alguma ser negligenciado.

No entanto o Sp. Paivense tornou-se num elefante que vive num espaço exíguo, digamos num elevador. O grande obstáculo no crescimento do clube é estrutural… hoje em dia o espaço disponível é manifestamente insuficiente, o que provoca evidentes constrangimentos à qualidade do trabalho produzido pelos técnicos do clube. Não é possível conseguir um produto de boa qualidade sem conseguir uma boa linha de produção.

Actualmente, o clube tem equipas em funcionamento no escalão de Paivinhas, Benjamins, Infantis, Iniciados, Juvenis e Juniores. Se a estes juntarmos os seniores, não será difícil perceber que um campo relvado não chega. Os escalões trabalham num quarto de campo e com vários contextos em simultâneo que interferem na concentração dos atletas e na capacidade destes absorver o que realmente importa. Outro dos problemas que acarreta a falta de espaço são os planteis demasiado extensos, com a especificação que se atinge na formação do futebol actual é vital a existência de duas equipas por escalão, dividindo o escalão por idades e permitindo tempo de jogo e tempo de treino adaptado ao momento de desenvolvimento do atleta.

Claro que a grande questão de fundo é financeira, onde poderá a instituição encontrar financiamento para ultrapassar este problema? Parece-me, mais do que evidente, que a opção poderá passar por protocolos com os outros clubes do concelho para utilização dos equipamentos desportivos espalhados e sub-aproveitados por terras de Paiva. No entanto não podemos ignorar o facto desses equipamentos não possuírem hoje em dia as condições exigíveis para a formação dos jovens atletas. Faltam relvados sintéticos… impossível alterar este paradigma? Não me parece, veja-se o caso dos nossos vizinhos de Arouca, sintético em Fermedo, Mansores e Arouca, relvado natural no municipal e em Mosteirô… havendo já a promessa que em casa de continuidade de actividade desportiva Vila Viçosa também receberá um sintético.

Parece sina ficarmos para trás… em 1997 o executivo municipal avançou com aquela que poderia ter sido a primeira pedra num clube mais saudável, com o imobiliário em alta surgiu a possibilidade do terreno do Municipal da Boavista financiar a construção de um novo estádio na zona de Curvite, foi feito um estudo prévio que chegou a ser levado a reunião de Câmara. Além de albergar o futebol, estava prevista a tão sonhada pista de atletismo, para os nossos atletas paivense evoluírem na modalidade com a dignidade que merecem… ao que sei (se estiver enganado agradeço que me corrijam) o Grupo Desportivo, na pessoa do seu presidente Manuel Vieira, chegou a ser chamado ao processo. No entanto ou por falta de visão a médio/longo prazo ou por conveniência política ficou na gaveta. Ao que me confidenciaram agarraram-se à tradição do clube naquela localização, não cola e pode ter dado uma machadada definitiva do sonho de projectar o clube para outros patamares já alcançado por quem vive tão perto de nós como o CD Cinfães.

 

Saudações Desportivas

Vitor Moreira – Treinador UEFA A + Elite Youth


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